Em nenhum argumento teísta para a existência de Deus o "Big Bang" se dá como premissa para que o argumento funcione. Na verdade, ele se dá como mera consequência dedutiva de certas premissas anteriores. O ateu contemporâneo faz de tudo para evitar a teoria do Big Bang, pois esta, segundo os próprios ateus, corrobora para o início cósmico a partir do nada e, consequentemente, uma causa. O esforço do ateu está para "inventar" uma nova teoria que possa suprimir a necessidade do início do universo, embora quase todos admitem que a teoria mais convincente seja o próprio Big Bang. Mas, para meia duzia de "teólogos", o Big Bang deve ser refutado.
quinta-feira, 25 de julho de 2024
segunda-feira, 15 de julho de 2024
Tesouro sem valor?
Suponha que você está caminhando por algum terreno qualquer até o momento que você acha algo que parece ser um tesouro ali escondido. Para sua boa sorte, o terreno está à venda na Olx e você crê que possui uma quantidade de bugigangas equivalente ao preço do terreno – que possui um preço justo, diferentemente dos quais temos testemunhado nos dias atuais. Sua inferência mais provável certamente seria "vou vender minhas bugigangas e talvez sacar meu FGTS para comprar o terreno sem parcelas". E é isso o que você faz. Embora isso possa parecer mais um caso Gettier, meu foco aqui é o tesouro em si, sua relevância para você adquirir o terreno no qual ele subjaz.
Pronto, finalmente o terreno e, consequentemente, o tesouro, são seus. O que você faz agora? Você começa a escavar (se é que o tesouro está coberto por terra), a investigar qual a utilidade de toda essa riqueza. Você acha aparelhos ultra tecnológicos que são capazes de fazer um cego ver. Outros que são capazes de fazer um paralítico andar. Ainda outro que multiplica pães e peixes. Para sua surpresa, há uma máquina com engenharia perfeita o suficiente para transformar um coração de pedra em um coração de carne. Dá ainda, entre todos os outros aparatos que lhe é cognoscível, algo mais claro e real do que a aquilo que você jamais experimentou; algo capaz de fazer você perceber quem você realmente era antes de achar o tesouro. Para sua surpresa, você estava morto pois descobre que o próprio tesouro é idêntico em essência a Vida. Logo, você adquire a crença de que quem não possui esse tesouro, está realmente morto e isso na verdade implica uma morte espiritual como um zumbi que está em movimento mas não possui qualquer motivação aprazível, que realize um bem devido.
Agora imagine que em vez de utilizar todos esses aparelhos ultra tecnológicos você, ao "comprar" o terreno, o cerca de muros altíssimos ou enterra o tesouro talvez por ter visto apenas a "ponta do iceberg", ou ainda por não ter ficado claro que a proximidade do tesouro lhe garante a Vida, pois como foi escrito acima, o tesouro é a própria Vida. Não seria desprezível alguém que, tendo tamanho tesouro como sua propriedade, sai para brincar com pedras inanimadas, galhos, ou ainda folhas secas que subjazem sobre o mesmo terreno?
Ora, é tolice comprar um Meade LX850 unicamente para usar a embalagem para guardar tralhas; ou ainda comprar uma esteira para usar de cabide. Da mesma forma é uma tolice notável "achar" um tesouro, e não o utilizar em favor próprio e/ou favor de outros.
terça-feira, 25 de junho de 2024
J. R. Lucas contra a igualdade
O filósofo cristão J. R. Lucas foi por muitos anos professor da Universidade de Oxford, apesar de não ter seu trabalho devidamente reconhecido, sem dúvidas foi um dos filósofos mais influentes e originais do século XX, sobretudo pela abrangência de seu trabalho, que engloba filosofia da religião, filosofia do tempo, filosofia política, inteligência artificial, entre outros.
Já antevendo a polêmica diabólica do século XXI, escreveu um artigo denominado "Against Equality" para criticar a ideia de igualdade absoluta em termos sociais e políticos. Lucas basicamente argumenta que a igualdade como um princípio absoluto é impraticável e indesejável. Na verdade, ele afirma que um dos deuses modernos é esta tal de "igualdade", que "todos" querem, mas ninguém é capaz de dizer o que isso significa na realidade. Eis aqui alguns pontos principais de sua argumentação.
Lucas acredita que os seres humanos são inerentemente diversos em habilidades, talentos e interesses. Tentar impor uma igualdade absoluta ignoraria essa diversidade natural e poderia levar a injustiças ao tratar desigualmente os desiguais. Ele defende que reconhecer diferenças em mérito e desempenho é crucial para a motivação e o progresso. Uma sociedade que ignora essas diferenças pode desincentivar o esforço e a inovação, resultando em mediocridade generalizada.
Lucas faz uma distinção entre igualdade e equidade. Ele argumenta que a verdadeira justiça não significa tratar todos igualmente, mas sim tratar as pessoas de acordo com suas necessidades e contribuições. A equidade leva em consideração as circunstâncias individuais e visa resultados justos, ao invés de uma igualdade rígida. Ele também aponta que a busca pela igualdade absoluta pode entrar em conflito com a liberdade individual. Restringir a liberdade para forçar a igualdade pode levar a uma sociedade autoritária, onde o controle centralizado suprime as diferenças individuais e a liberdade de escolha.
Além de questões morais e filosóficas, Lucas questiona a viabilidade prática de alcançar a igualdade absoluta. Ele argumenta que os esforços para nivelar a sociedade podem resultar em burocracia excessiva e ineficiência, sem alcançar os objetivos desejados.
No geral, Lucas não se opõe à igualdade de oportunidades ou ao tratamento justo, mas critica a ideia de que todos os resultados devem ser iguais, independentemente das circunstâncias individuais. Ele acredita que uma abordagem mais equilibrada, que reconheça e acomode as diferenças individuais, é mais desejável e justa.
Já em outro artigo, com o nome de "Vive la Différence", J. R. Lucas explora a importância e o valor das diferenças entre os seres humanos, tanto em termos individuais quanto entre os sexos. Ele argumenta que essas diferenças são fundamentais para a riqueza da experiência humana e para o funcionamento harmonioso da sociedade.
De acordo com Lucas, homens e mulheres possuem diferenças biológicas e psicológicas que influenciam suas experiências e comportamentos. Ele argumenta que reconhecer e valorizar essas diferenças é essencial para entender a natureza humana e para construir uma sociedade que respeite as contribuições de todos. Em vez de ver as diferenças como fonte de desigualdade, Lucas as vê como complementares. Ele sugere que as qualidades e habilidades distintas de homens e mulheres podem se complementar mutuamente, criando uma dinâmica social e familiar mais rica e equilibrada.
Lucas defende que as diferenças são fundamentais para a identidade individual. Negar ou minimizar essas diferenças pode levar à perda de autenticidade e à homogeneização da sociedade, o que empobrece a experiência humana. Similar ao que discute em "Against Equality", Lucas critica o igualitarismo radical que tenta eliminar todas as diferenças. Ele argumenta que tal abordagem ignora a complexidade da natureza humana e pode resultar em injustiças e repressão. Lucas enfatiza a importância de celebrar e valorizar as diferenças em vez de tentar eliminá-las. Ele acredita que uma sociedade verdadeiramente justa e humana reconhece e honra as variações entre indivíduos e grupos.
Lucas também aborda a questão dos papéis sociais e como estes podem ser influenciados pelas diferenças sexuais. Ele sugere que, embora seja importante lutar contra estereótipos prejudiciais e discriminação, também é necessário reconhecer que algumas diferenças podem naturalmente levar a diferentes inclinações e escolhas de vida.
No geral, "Vive la Différence" é uma defesa das diferenças naturais entre os seres humanos e um apelo para que estas sejam reconhecidas e valorizadas em vez de suprimidas. Lucas argumenta que uma sociedade saudável e justa é aquela que celebra a diversidade e permite que todos os indivíduos contribuam de acordo com suas capacidades e inclinações únicas.
O resumo da ópera é que ele argumenta o que quase todo mundo já sabe, mas poucos lucram. Embora ele utilize de distintas referências, e uma condição intelectual mais privilegiada, supremacista e... Ops.
quarta-feira, 13 de dezembro de 2023
Um dualismo de substância
No artigo "The Immaterial Aspects of the Thought", James Ross argumenta que alguns aspectos do pensamento são imateriais. Ele baseia seu argumento na ideia de que alguns pensamentos são determinados entre funções incompatíveis, de uma forma que nenhum processo físico, série de processos ou função fisicamente determinada entre processos pode ser. O resultado é que tal pensamento nunca é idêntico a nenhum processo ou função física.
Para ilustrar seu argumento, Ross usa o exemplo da adição. Ele argumenta que, quando adicionamos dois números, não estamos simplesmente seguindo uma série de regras físicas ou computacionais. Em vez disso, estamos aplicando um conceito abstrato de adição, que é independente de qualquer processo físico específico.
Ross também argumenta que nossos pensamentos são muitas vezes intencionais, ou seja, eles são dirigidos para um objeto específico. Ele sustenta que essa intencionalidade não pode ser explicada por processos físicos, pois os processos físicos não são intencionais por natureza.
Além do exemplo da adição, Ross também utiliza outros exemplos no artigo para ilustrar seu argumento. Um desses exemplos é o da compreensão de uma metáfora. Ele argumenta que, quando compreendemos uma metáfora, não estamos simplesmente seguindo uma série de regras físicas ou computacionais. Em vez disso, estamos fazendo uma conexão entre dois conceitos que são, em princípio, incompatíveis.
Outro exemplo utilizado por Ross é o da criatividade. Ele argumenta que, quando somos criativos, não estamos simplesmente seguindo um modelo físico ou computacional. Em vez disso, estamos produzindo algo novo e original.
Ross também argumenta que nossos pensamentos são muitas vezes subjetivos, ou seja, eles são experimentados de uma forma única por cada indivíduo. Ele sustenta que essa subjetividade não pode ser explicada por processos físicos, pois os processos físicos são objetivos por natureza.
Por fim, Ross argumenta que nossos pensamentos são conscientes, ou seja, somos conscientes de que estamos pensando. Ele sustenta que essa consciência não pode ser explicada por processos físicos, pois os processos físicos não são conscientes por natureza.
segunda-feira, 5 de junho de 2023
Sentido
De acordo com um dos magníficos pensamentos de Pascal, os problemas humanos surgem da incapacidade do homem permanecer em repouso, sentado por algum tempo. Isto parece a prima facie um pensamento um tanto estranho de imaginar e até mesmo superficial. Mas Pascal prossegue argumentando que não é o mero repouso inanimado que resolve o caos humano. Muito pelo contrário. Ele indica que o próprio repouso é insuportável pelo tédio que gera. O tédio no repouso é insuportável pelo desespero que gera quando uma reflexão inata é evidenciada em tal repouso: nossa condição leviana, ignorante, miserável, e mortal. "Ele sente então todo o seu nada, seu abandono, sua insuficiência, sua dependência, sua impotência, seu vazio. Imediatamente nascerão do fundo de sua alma o tédio, o negrume, a tristeza, a mágoa, o despeito, o desespero." O desespero insuportável leva à diversão, que "nos entretém e nos faz viver insensíveis" em relação à essas condições humanas. Sem a diversão, o homem buscaria meios mais sólidos de escapar da morte e sair da ignorância. Mas a ausência de diversão gera tristeza, e para resolver esse caos do desespero humano, a escolha geralmente é parar de pensar nisso. (Parece, ao menos para mim, que a maior inspiração em Dostoiévski – principalmente nos personagens príncipe Mishkin e Aliócha – é seu contato com o realismo de Pascal, mas não trataremos disto agora.)
A resposta de Pascal segue sua jornada até Cristo que, na minha humilde opinião, é com muito peso a única opção razoável para tomar como "aposta". "Apostar" em Deus e, mais especificamente, no Deus cristão – aqui Pascal segue uma linha de teologia natural que justifica o porquê do Deus cristão e não outro Deus que não cabe tratarmos disto agora, mas talvez em uma futura postagem –, é a única saída que satisfaz a necessidade de objetividade de um sentido para todo esse caos e desespero. Objetividade esta que parece ausente nos argumentos de Viktor Frankl, o famoso psiquiatra da Logoterapia, e Jordan Peterson, o famoso psicólogo contemporâneo.
Não parece muito vantajoso ou diferente de uma ilusão (tal como a "ilusão de indulto" de Viktor Frankl) o mero sentido subjetivo. Imagine, por exemplo, que alguém sente uma obrigação moral em ser responsável por salvar vidas em um hospital. (Por um momento acreditei que não seria preciso esclarecer que não estou desmerecendo tal juízo moral, mas acidentes acontecem... e é melhor que fique evidente que não tenho esse nível de desprezo por pessoas responsáveis!) O que um médico realmente faz? Pode, acaso, salvar alguém da morte? Ou não seria mais razoável reconhecer que o trabalho da medicina é – de uma forma um tanto reducionista, eu reconheço – "adiar o inevitável"? Aqui alguns idólatras da ciência aparecem de seus buracos para argumentar em favor de uma espécie de busca científica pela imortalidade do homem. Não pretendo refutar nem rejeitar esse tipo de esforço, mas simplesmente expor, caso necessário, o fatídico evento futuro (e ainda embasado em cosmologia contemporânea fresquinha) de um universo caótico e impossibilitador de vida. Mas peço que para que o raciocínio prossiga, continuemos a pensar sobre nossa morte como inevitável, seja agora, seja daqui a alguns milhares ou milhões de anos. O que o propósito e/ou responsabilidade do doutor vai resolver? Por que alguém gostaria de multiplicar em sua memória, a multiplicação de males gratuitos deste mundo? Não é, por acaso, mais razoável reconhecer o terrível (se verdadeiro) engano do sentido subjetivo?
Não tenho dúvidas de que a responsabilidade social é algo belo e que devemos ter coragem de assumir estas carências. Mas diminuir o sofrimento não é igual a felicidade, senão uma que é passageira, ilusória. A verdadeira percepção da realidade em seu nível mais cru, foi primeiramente contemplada pelo escritor de Eclesiastes (muito provavelmente Salomão.) Ele percebeu de uma forma um tanto tardia, que nada do que se passa "debaixo do Sol" é novo, e que quase nenhuma vantagem se extrai dos esforços que os homens se afadigam. A verdadeira felicidade é participar da divindade. Pois isto é muito mais do que aqui e agora. E mais uma vez Pascal: "a única boa esperança desta vida é a esperança em uma próxima vida." Ou como William Lane Craig escreve: "Se Deus não existe, você não passa de um aborto da natureza jogado em um universo sem sentido para viver uma vida sem propósito."
sábado, 3 de junho de 2023
Os três estágios da vida por Søren Kierkegaard
– O estágio estético: uma vida no nível sensual em busca de prazer e em torno de si mesmo. O paradoxo do nível estético é que no final ele leva a infelicidade, ainda que os prazeres da alma sejam constantemente satisfeitos. Tal nível não pressupõe uma ignorância intelectual ou cultural, mas que tudo se dá por puro egocentrismo. A pessoa egocêntrica cai em desespero por ausência de significado em seu hedonismo.
– O estágio ético: tendo como ponto de partida o estágio anterior e sua insignificância existencial, o desespero agora se torna o salto entre o nível estético e ético. Aqui surgem motivações para a aderência de valores morais e a tentativa de viver neles de forma objetiva. O homem agora é moral, de um ponto de vista teórico; mas a impossibilidade prática de se viver verdadeiramente neste estágio sem qualquer deslize também leva a culpa e mais tarde, causa desespero e infelicidade.
– O estágio religioso: é neste estágio da existência humana que se encontra perdão de pecados e relacionamento com Deus. O salto do estágio ético para o estágio religioso é agora motivado pela crença em um Deus que perdoa iniquidades pois somente um Deus Criador pode nos dizer objetivamente o que é moral e nos perdoar quando somos incapazes de agirmos moralmente. É neste estágio que está a realização verdadeira humana.
segunda-feira, 31 de agosto de 2020
Confiabilidade das funções próprias
O que se segue, é um argumento teísta probabilístico sobre a confiabilidade de nossas funções próprias, retirado de um artigo no livro "Two Dozens (or so) Arguments fo God".
Teísmo aqui é representado por T; evolução não teísta por NTE (non-theistic evolution). A confluência da função própria e confiabilidade é representado por R (reliability). LoL é a Lei da Probabilidade (Law of Likelihood).
Onde,
LoL: Se Pr (E|H1) >> Pr (E|H2), então E favorece H1 sobre H2. Isto é, se a probabilidade da evidência sobre a hipótese 1 for maior muito maior que a probabilidade da evidência sobre a hipótese 2, então a evidência favorece a hipótese 1 sobre a hipótese 2.
1. Pr (R|T) >> verdadeiramente pequena. (Premissa)
2. Pr (R|NTE) = verdadeiramente pequena. (Premissa)
3. Portanto, Pr (R|T) >> Pr (R|NTE). (A partir de 1 & 2)
4. Se Pr (R|T) >> Pr (R|NTE), então R favorece T sobre NTE. (LoL)
5. Portanto, R favorece T sobre NTE. (De 1 até 4)
O argumento pressupõe que nossas faculdades cognitivas são confiáveis, o que é justo pensar, uma vez que não poderíamos falar sobre qualquer coisa se não tomássemos tal procedimento auto reflexivo como verdadeiro. Se nossas faculdades cognitivas são verdadeiras, então a probabilidade de T é muito mais alta do que a probabilidade de NTE, uma vez que em T a probabilidade de R ter sido intencionalmente direcionado à verdade é muito maior do que NTE.
sábado, 1 de agosto de 2020
O argumento da contingência
segunda-feira, 13 de julho de 2020
A treliça e a videira
quinta-feira, 25 de junho de 2020
Onde está o conflito?
O argumento central do conflito entre o naturalismo e a evolução se baseia no fato de que não há intencionalidade na evolução para produzir seres conhecedores de verdades, uma vez que a evolução somente proporciona aos seres a fome, fuga, reprodução e sobrevivência. A luta pela sobrevivência do mais apto parece não envolver crenças verdadeiras do universo. Plantinga então sugere que a probabilidade de que uma crença qualquer seja falsa dado que (E&N) se segue, é muito alta. Sendo assim, a própria crença de que (E&N) está em risco, uma vez que não é possível refletir racionalmente se a probabilidade de estarmos refletindo irracionalmente é alta. Alvin Plantinga cita sua grande influência para pensar deste modo, Thomas Reid: "Se a honestidade de um homem fosse colocada em questão, seria ridículo se referir a própria palavra do homem, sendo ele honesto ou não. O mesmo absurdo existe em tentar provar, por qualquer tipo de raciocínio, provável ou demonstrativo, que nossa razão não é falaciosa, visto que o ponto em questão é exatamente se a nossa razão pode ser confiada."
O que se segue parece óbvio. A ideia é que, se fomos projetados por um Designer, nossas faculdades cognitivas se desenvolveram com a intenção de produzir em nós crenças verdadeiras, como crença no próprio Deus e proposições contingentes, como "a teoria da evolução é verdadeira", sendo que essa "intenção" foi guiada pelo Designer. Por outro lado, se não há qualquer Designer, não há nem mesmo como verificar racionalmente se estamos corretos em crer que não há um Designer, uma vez que não há intenção na evolução distinta daquelas necessárias para suprir as necessidades primitivas dos indivíduos.
Uma objeção também bastante conhecida, é a ideia de que a mecânica quântica e o desenvolvimento da física moderna não deixa espaço para Deus dentro do pensamento contemporâneo pois, de acordo com boa parte dos cientistas, tudo pode ser explicado por alguma equação da física. O engraçado é que muitos desses cientistas simplesmente ignoram a contradição aparente entre a mecânica clássica e a física quântica. Uma das tentativas de evitar essa solução é a chamada "teoria das cordas" (ou "teoria M", ou "teoria das super cordas"), cujo número de dimensões do nosso universo necessário para a teoria funcionar é exatamente 11, ou algo assim. A teoria das cordas propõe que a estrutura mais fundamental da matéria são essas minúsculas cordas que, em suas vibrações semelhantes ao de um instrumento de corda, determinam e explicam o comportamento da matéria. Para esses "físicos" teóricos de hoje em dia, a teoria fornece o entendimento que eventos absurdos como um copo cair, quebrar, e o mesmo copo simultaneamente não quebrar mas sair andando é tanto possível quanto provável que aconteça, uma vez que a realidade é composta por 11 dimensões. Essa e muitas outras bizarrices são comumente admitidas pelos cientistas contemporâneos. Para outra turminha de "pensadores" engraçadinhos, não existem "leis da física". Mas parece que ambos grupos de "intelectuais" ainda creem ser absurda a ideia de um homem ressurgir dentre os mortos. O fato é que Plantinga explica que essa falta de critério no pensamento atual é bom motivo para não levar muito a sério essas teorias que tentam explicar a realidade.
Pra mim, não é claro o que se quer dizer com um evento sobrenatural, uma vez que não conhecemos todas as "leis naturais". Dentro da perspectiva naturalista, a questão é que se Deus age e muda uma "lei natural", deveríamos assumir a crença de que de fato não há "leis naturais", uma vez que se deve presumir que essa lei é capaz de fazer predições corretas; se as predições (caso um evento predito por uma e mesma causa anteriormente verificada causando outro evento idêntico ao evento anterior) podem ser mudadas, não existe "lei natural". Todos sabem que a mecânica quântica (que é contraditória com a relatividade geral) não consegue fazer previsões exatas na escala de Planck e, para tentar resolver isso, foi inventado outra teoria metafísica de péssima qualidade (da qual se dá o nome de "teoria das cordas"). O fato é que se pressupõe que vivemos em um universo de fecho causal, o que não faz parte da ciência contemporânea, mas de especulações infundadas. Aparentemente, Deus (um ser dotado de liberdade) precisaria de uma boa razão para mudar a ordem de um universo do qual Ele mesmo mantém (assim o é de acordo com a crença teísta); talvez atender a um apelo de algum outro ser dotado de alguma liberdade significativa, caso veja algum propósito nisso e evitando, é claro, multiplicar milagres sem necessidade (Navalha de Leibniz). Isso incluiria a crença de que Deus não intervém em um mundo onde Ele mesmo mantém uma ordem mas não exclui a possibilidade de "milagres" terem existido ou existirem atualmente.
Não estamos em poder de abandonar a nossa crença em Deus se somos produto de um processo evolutivo naturalista que produz coisas aleatórias, mas que conspiram para termos crenças verdadeiras sobre o universo e indica que de fato temos; isso por que nossa crença não provém somente de um exercício de raciocínio verificável pelo método científico, embora muitas decisões acerca da existência de um Deus seja claramente dedutível, mas de um testemunho interno que afirma que somos criaturas divinas. Mas nem por isso a crença em Deus deva ser considerada intelectualmente inferior à descrença. A questão é que, se fomos projetados por Deus ou pela evolução ou por ambos, para crer em um criador e nosso mecanismo cognitivo está funcionando apropriadamente para isso, deveríamos supor que estamos epistemologicamente autorizados a crer em Deus. Penso que de fato estamos.
terça-feira, 2 de junho de 2020
Epistemologia
A Epistemologia é a área da Teoria do Conhecimento que analisa basicamente três coisas: "o que é conhecimento" se "é possível conhecer alguma coisa" e, caso seja possível o conhecimento, "como" o adquirimos. A palavra conhecimento na Epistemologia é classicamente conhecida pela definição dada por Platão como "opinião verdadeira acompanhada de explicação racional" ou, como nos tempos modernos colocou Roderick Chisholm, "crença verdadeira justificada". Também no grande livro da Epistemologia, temos a contribuição de Richard Feldman para expor melhor o problema do conhecimento em estados mentais, mas que ilustra como as proposições não se organizam em nossa mente:
"[O] conhecimento não é um puro ‘estado mental’. A condição de uma pessoa saber depende tanto de como sua mente é – o que ela crê e por quê – e como o mundo é. [...] Note que, o que quer que nós digamos sobre o conhecimento, pode haver casos de ‘crer verdadeiramente’ e de ‘crer falsamente’ que são introspectivamente indistinguíveis. Crenças verdadeiras não tem uma luz mais brilhante que as crenças falsas. Não há nenhum ‘V’ piscante diante do olho de sua mente quando você tem uma crença verdadeira. Não há nenhuma característica interna que acompanha todas e somente todas as crenças verdadeiras [all and only true beliefs]."
É assim chamado crença uma das condições do conhecimento na Epistemologia, porque ninguém pode conhecer alguma coisa que não crê. Essa impossibilidade lógica e epistêmica pode ser exemplificada na frase do Chapolin, que afirmou: "Eu não acredito em discos voadores, mas que eles existem, existem!" Bem, é óbvio que para conhecer algo, uma pessoa precisa crer que tal coisa seja o caso. A crença é uma operação do intelecto que julga. Julgar, assim como nos apresentou Kant, é qualificar proposições. Considere por exemplo uma maçã que realmente é vermelha. Nós a qualificamos quando dizemos "aquela maçã é vermelha" (juízo positivo verdadeiro); quando dizemos "aquela maçã não é azul" (juízo negativo verdadeiro); quando dizemos "aquela maçã é azul" (juízo positivo falso); e quando dizemos "aquela maçã não é vermelha" (juízo negativo falso). A crença, portanto, é uma condição necessária para o conhecimento. Jamais diríamos que uma pessoa que usa a percepção sensorial para experimentar algum objeto, mas crê que aquele objeto não está ali, possui de fato conhecimento sobre tal objeto.
A condição de verdade da proposição também é necessária para constituir um caso de conhecimento, pois ninguém pode conhecer algo que não seja verdadeiro. Aqui não se está discutindo a ideia de que é impossível obter conhecimento acerca de proposições que expressam falsidade, mas sobre a relação que essa proposição possui com a realidade. Que existem contradições foi algo que Aristóteles esclareceu; mas ele também argumentou sobre a impossibilidade de uma contradição subsistir. Uma das coisas contraditórias entre si deve (por uma questão lógica básica) subsistir, e a outra, deve ser necessariamente falsa. A verdade está mais para um condição metafísica do que epistemológica e, portanto, sua existência é pressuposta para ser possível analisar as condições de conhecimento.
A percepção sensorial é talvez a mais básica de todas as fontes, ou talvez a mais comum, e apela para os sentidos que o ser humano possui e que se relacionam com o mundo externo. Tais sentidos são popularmente conhecidos como a visão, o olfato, o paladar, a audição e o tato. Através desses sentidos, o ser humano se relaciona com os objetos do mundo e pode conhecer tais objetos vendo eles, ou ouvindo, etc.
A memória pode gerar conhecimento quando um sujeito qualquer apela para a sua própria memória de algum fato do passado para, a partir disso, saber no tempo presente que se julga possuir ou não o conhecimento. O fato de nos esquecermos de eventos do passado não se segue que no presente ou no futuro tal evento não possa vir à tona em nossa mente através da memória e, assim, gerar conhecimento sobre algo.
Na introspecção o sujeito reflete sobre verdades da lógica e da matemática e, sem apelar para o mundo externo, conhece verdades que podem ser provadas através da reflexão sobre a natureza de tais procedimentos introspectivos. E é também uma fonte primária de conhecimento, pois o sujeito conhecedor pode ter acesso imediato à essa fonte, apelando à própria introspecção para tal.
Na intuição a priori o sujeito conhece através de experiências anteriores aquilo que está diante dele. Ele sabe, por exemplo, que o todo é maior do que a parte. Da mesma forma como sabe que se A é maior que B, e B é maior que C, então A é necessariamente maior do que C. Não é necessário a experiência a posteriori para ele então conhecer o que se dará.
Já na indução o sujeito conhece, através de eventos anteriores particulares do qual experimentou ou outras pessoas experimentaram, inferindo daí uma generalização sobre tais eventos particulares. Existe uma certa probabilidade que está relacionada com uma espécie de garantia para o sujeito conhecer. A indução é muito utilizada na ciência, como quando inferimos que se há uma repetibilidade possível de se prever, então será sempre assim. Por exemplo, se todo objeto suspenso no ar ceteris paribus caiu após ser solto, infere-se que será sempre assim a partir da generalização desses eventos particulares.
O testemunho é também uma fonte de conhecimento muito válida. E é talvez a fonte mais utilizada por nós. Quando alguém executa algum experimento em laboratório, é relatado em algum livro ou artigo, tudo o que aconteceu e então tais informações são compartilhadas com as pessoas que possuem interesse no experimento. Na ciência, isso é muito comum. Há, aliás, uma infinidade de pessoas que executaram os mesmos experimentos e relataram resultados idênticos aos que foram primeiramente testados. Em certo sentido, não é necessário que todas pessoas vão a um laboratório executar o mesmo experimento para saber se o relato dos experimentos anteriores são corretos. Mas, dado a confiabilidade dos experimentos anteriores, aceita-se como um testemunho válido que tais procedimentos foram devidamente executados. Isso acontece em diversas áreas de nossa vida. Não analisamos se o médico é realmente formado e capaz de nos diagnosticar e medicar; não analisamos se o farmacêutico não nos enganou, substituindo o remédio da caixa por algum outro qualquer; não examinamos o próprio remédio antes de ingerir, ou se a água da torneira não foi envenenada. Antes, cremos através do testemunho que nenhuma destas coisas listadas conspiram contra nós. E de fato, quase sempre estamos justificados a crer assim.
Em se tratando da justificativa para as crenças, os epistemólogos diferem no que diz respeito ao processo como essa justificativa se dá no indivíduo. Os internalistas argumentam que a justificativa para a crença gerar conhecimento depende de critérios internos na mente do sujeito conhecedor. Já os externalistas creem que os critérios para conhecer estão fora do sujeito.
No ano de 1963, um filósofo chamado Edmund Gettier problematizou a análise clássica de conhecimento, argumentando que há casos de crença verdadeira justificada onde não se constitui caso de conhecimento. Em seu artigo (de apenas duas páginas!), ele apresenta dois exemplos que evidenciam que as condições da análise clássica são no mínimo insuficientes. Um de seus contra exemplos se segue mais ou menos assim: Jones e Smith trabalham em um lugar onde eles sabem que um dos dois será promovido, mas Smith crê que quem será promovido é Jones e Smith sabe que Jones possui dez moedas em seu bolso. A partir disso, Smith infere a seguinte proposição: "o homem que será promovido possui dez moedas no bolso". Acontece que quem será promovido é o próprio Smith e, sem que ele saiba disso, ele também possui dez moedas em seu bolso! Sendo assim, sua crença "o homem que será promovido possui dez moedas no bolso" é uma verdade, mas por ter sido uma mera coincidência que Smith creu nessa proposição, os epistemólogos argumentam que Smith não conhece (sabe) que "o homem que será promovido possui dez moedas no bolso". Gettier problematizou tanto a análise clássica do conhecimento que milhares de páginas foram escritas para tentar solucionar seus contra exemplos. Mas não há como tratar de tudo aqui.
O ceticismo é uma crença que põe em cheque a possibilidade de conhecimento, ou pelo menos não podemos conhecer algumas coisas em específico. Céticos pirrônicos, por exemplo, negam que literalmente nada pode ser conhecido, nem mesmo esta própria afirmação de que "nada pode ser conhecido"! O famoso e antigo Trilema de Agripa é um argumento cético e que impõe algumas justificativas pelas quais não é possível conhecer, que se segue com: (a) as razões para o conhecimento continuam indefinidamente; (b) as razões terminam num ponto em que não há mais razões disponíveis para apoiar as últimas; (c) as razões circulam em torno de si mesmas. Assumir um trilema de Agripa como verdadeiro é claramente uma petitio principii e um ad hoc. Não podemos justificar o trilema sem uma espécie de "Prior Grounding Requirement". O fundacionalismo epistêmico consente que as opções (a) e (c) sejam céticas mas nega que (b) o seja; o coerentismo afirma que (a) e (b) são céticas, mas nega que (c) o seja.
A epistemologia é uma área da filosofia extremamente vasta, e seus interesses se estendem sobre a moralidade, racionalismo, ciência, religião, etc., mas acredito que esse texto serve para dar uma breve introdução e despertar um pouco mais de interesse sobre o tema.
terça-feira, 12 de maio de 2020
Simplicidade
Há necessidade, acima de tudo, de pessoas simples. Que não ficam se emaranhando em coisas vãs e improdutivas o tempo todo. Pessoas que não ficam, como o personagem Sherlock Holmes sugere, no livro "Um estudo em escarlate", poluindo constantemente suas mentes para coisas desnecessárias. São pessoas assim que tornam a vida mais agradável, textos mais acessíveis, teorias mais verificáveis, problemas mais solucionáveis, e assim por diante.
segunda-feira, 27 de abril de 2020
Vida intelectual
Pode sim parecer um pouco presunçoso ou arrogante o termo "vida intelectual". Mas quero me referir ao fato de que há sim pessoas que se dedicam a saber mais sobre um determinado assunto do que o habitual. Que não se apóia em palpites sobre enunciados complexos fazendo alguma forma de reducionismo significativo ou caindo na "falácia da ignorância". O intelectual sabe para onde vai e tem um direcionamento em seus estudos; evita dispersões ou as informações inúteis. Sabe evitar também a "orgia da literatura".
terça-feira, 7 de janeiro de 2020
Argumento e coerência
Logo, pode ser o caso em que nossa incapacidade de agir corretamente influencie em como e no quê queremos argumentar, sempre procurando uma forma de dar razão aos argumentos para sustentar alguma ideia, ainda que não sejamos coerentes com ela. Talvez alguém escreva contra essa postagem. Mas o que me importa agora é estar atento para o que estou argumentando e ser coerente com isso, e ouvir com atenção argumentos opostos ou que ajudem a melhorar tanto o procedimento intelectual quanto prático.
sexta-feira, 20 de dezembro de 2019
A finalidade da Beleza
Um lugar que me chama bastante atenção sobre a significância da Beleza é a Bíblia Cristã. Há alguns trechos específicos que podem clarear um pouco aquilo que eu entendo de significante para a utilidade da Beleza; mas também a Bíblia expressa sua própria razão de argumentar em favor da existência do que é belo. "Os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos de ouvir", é o que diz Eclesiastes. A Beleza é uma dessas coisas que dão sentido à vida e tal é a razão que nossos olhos não se cansam de ver, nem nossos ouvidos se cansam de ouvir. Mas sempre procurando aquilo que é belo e agradável de se contemplar e ouvir, evitando-se as coisas que são irritantes aos nossos olhos e ouvidos.
Quem é que não se alegra ao olhar o céu estrelado durante a noite? Bem, há muitas pessoas que nem mesmo olham para o céu estrelado, talvez por suas cidades serem poluídas o suficiente para não conseguirem enxergar muita coisa, ou ainda por realmente não se interessarem por tal tipo de coisa. O fato de poucas pessoas se interessarem por um céu estrelado pode estar relacionado à péssima influência das mídias sociais, uma vez que não se pode tirar "selfies" com a Lua ou fazer outro tipo dessas coisas que estão na moda. O fato é que eu realmente duvido que as pessoas que ignoram a Beleza conseguem possuir verdadeira felicidade, se é que o Belo está relacionado com o Bem e com uma verdadeira contemplação das coisas que são perceptíveis aos nossos sentidos e agradáveis à nossa alma.
É também lamentável o fato de que muitas de nossas cidades são horrorosas. Tanto prédios e casas são feias e desorganizadas quanto os fios de energia elétrica, outdoors e outras coisas das ruas deixam uma péssima vontade de caminhar por esses lugares. Dá uma tristeza ainda maior quando essas disposições arquitetônicas são somadas ao péssimo gosto musical de algumas outras pessoas. Bem, mas isso tudo não significa que não há qualquer coisa bela disposta para nossos olhos e ouvidos. Acredito que basta se interessar um pouco mais sobre o que a Beleza pode proporcionar para a alma, e isso não é algo que se pode encontrar em qualquer texto (eu julgo que esse texto aqui ainda não está perto o suficiente de ser belo) ou simples fotos do Google. Acredito que valha mais a pena seus olhos e ouvidos buscarem coisas belas além do computador ou celular, pode ser mesmo o caso que a Beleza sirva para alguma coisa.
"Uma é a glória do sol, outra, a glória da lua, e outra, a das estrelas; porque até entre estrela e estrela há diferenças de esplendor" (1 Co 15:41).
quinta-feira, 5 de dezembro de 2019
Beleza x Inteligência
Acredito que a Beleza de algo está diretamente relacionado com algum padrão identificável em que dizemos: "Isto existe aqui e em outro lugar, mas não existe ali." Esse padrão identificável é somado à outra qualidade da qual nosso intelecto separa das coisas desorganizadas e imprevisíveis. Na soma destes padrões em relação àquilo que é fora de padrão, julgamos algo como ou sendo Belo ou então feio. Não estou dizendo assim que a Beleza é eterna no sentido que sempre existiu e não há uma forma nova contemplável, mas que nosso intelecto julga (isto é, qualifica) com maior facilidade aquilo do qual está acostumado a perceber, dado a sua simplicidade na qual tal facilidade ocorre.
Mas não apenas fatos concretos ou objetos são Belos. Eventos também o são. O conjunto do florescer, do pássaro cantar, do vento soprar, do meteorito atravessar o céu, etc., nos encanta mesmo que não seja um ponto fixo no espaço-tempo como qualquer outro objeto contemplável.
Me parece que o intelecto não foi feito para destinar-se apenas para uma única coisa e fazer dela a única busca real. A Inteligência não é a simples capacidade de gravar informações e poder repetir elas a qualquer momento. Computadores fazem isso. E por não acreditar em inteligência artificial, eu também não creio que a Inteligência deva ser reduzida a um procedimento de decorar infinitas coisas e entender elas.
Poderia ser dito que a Inteligência é a capacidade do intelecto de resolver questões difíceis da vida, ou equações da ciência ou matemática, ou ainda da lógica, etc. Mas eu acredito que a Inteligência é a capacidade do intelecto de ser o mais simples possível diante de tantas coisas complexas e Belas. É viver com uma simplicidade não reducionista que torna perfeitamente inteligível aquilo que está complexo demais para o intelecto saber. Creio que este procedimento intelectual é também uma forma de como o intelecto corresponde para aquilo que é destinado. Ora, se o intelecto é destinado a se inclinar para um conjunto de coisas que ele precisa atender, a Inteligência deste intelecto é elevado se ele consegue atender todo o conjunto de coisas e negligencia pouco ou quase nada do qual é a sua real função.
Nesse sentido, me parece que a Inteligência também é Bela, dado que é um tanto previsível e orquestra um padrão próprio de administrar o melhor possível a combinação de qualidades que o intelecto possui. Esse padrão não é motivo nenhum de tédio por sua previsibilidade e simplicidade, mas uma garantia de contemplação duradoura que provavelmente perdurará tempo suficiente para nossa vontade criar boa expectação do futuro.
Talvez alguém diga que todos objetos são extremamente complexos em sua essência. De fato parece ser o caso. Se analisássemos a estrutura molecular de organismos, o que veremos é uma complexidade irredutível. Mas nem por isso devemos argumentar que eles não são simples no sentido de que há um determinado padrão entre eles.
Ora, até onde posso ver, na Beleza há esse conjunto de padrões que, bem organizados, deixam a coisa Bela. Também na Inteligência há esse padrão de comportamento um tanto previsível. Tal é a razão que pessoas menos dotadas de intelecto parecem ser imprevisíveis e instáveis, como se não soubéssemos se ela vai salvar o mundo ou destruí-lo. Parece que esse tipo de pessoa abençoa num dia e amaldiçoa no outro. Tal é a razão pela qual eu analiso a Beleza de uma pessoa também por sua Inteligência.
Posso estar distante ainda do verdadeiro significado dessas palavras, é claro. Mas eu apenas tive esse insight sobre a possibilidade de conectar estas duas coisas entre si, que penso ser bem justificável essa conexão. Pode ser o caso que no futuro eu altere uma ou outra coisa, seja o caso de eu pensar diferente em algum sentido ou receber algum comentário que me faça adicionar algum ponto relevante a ser observado.
sexta-feira, 22 de novembro de 2019
Previously on Lost...
Deixamos que nossa incapacidade de responder todas perguntas ou de entender o mundo nos assole e deixamos de estar satisfeitos com nossa posição, sempre querendo "sair daqui e ir para ali". Mas deveríamos contemplar aquilo que está em nossa volta.